Cordel em braille: Educação que rima com inclusão no Ensino Fundamental I
Resumen
A Literatura de Cordel é um gênero textual que trabalha a oralidade e a escrita e está fortemente presente na cultura popular brasileira, principalmente no Nordeste do Brasil. Levar o cordel para a sala de aula pressupõe não apenas conhecimentos acerca desse gênero literário, mas também sobre o público diverso que vem adentrando os espaços escolares na atualidade, de acordo com o que preceitua a legislação brasileira sobre a educação. Neste ensaio teórico apresentamos uma sequência didática envolvendo o cordel para alunos videntes e cegos coletivamente, em turmas do Ensino Fundamental I, no contexto de uma escola pública de Niterói, no estado do Rio de Janeiro, sem excluir a possibilidade de aplicação das atividades a contextos históricos de outros municípios. A proposta tem como base de reflexão a pesquisa bibliográfica e as experiências vivenciadas pelas autoras. O trabalho em sala de aula com alunos cegos tem peculiaridades em relação à escrita — que deve ser feita utilizando-se o Sistema Braille e os recursos como máquina de escrever em braille, a reglete e o punção — e ao desenho, que pressupõe o uso da tela de desenho. Para a utilização adequada dos recursos de Tecnologia Assistiva no âmbito educacional, é de suma importância que profissionais da educação e professores regentes de turma conheçam as particularidades desses estudantes, de modo a possibilitar-lhes caminhos satisfatórios ao aprendizado. A iniciativa desse artigo surgiu da preocupação de se realizar um trabalho docente verdadeiramente inclusivo na prática para estudantes com comprometimentos sensoriais, como é o caso da cegueira. O texto dialoga com teóricos especialistas da deficiência visual, que contribuem com seus estudos, e com a legislação pertinente à Educação Especial na perspectiva da educação inclusiva.
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