Recomendações em podcast para o atendimento do estudante cego no IFB

  • Ricardo Allan de Carvalho Rodrigues Instituto Federal do Espírito Santo
  • Leticia Bianca Barros de Moraes Lima Instituto Federal de Brasília – IFB
  • Armando Ribeiro Batista Instituto Federal de Brasília – IFB
Palavras-chave: Deficiência Visual, Tecnologia, Educação Profissional, Podcast

Resumo

A pessoa cega, mais do que um discente em uma instituição acadêmica, é também detentora de saberes e, portanto, protagonista na construção de sistemas educacionais inclusivos, a partir da contribuição da elaboração e difusão de sua pesquisa científica. Este estudo teve como objetivo refletir sobre as barreiras à inclusão no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Brasília (IFB) segundo as percepções de um estudante cego matriculado na instituição, registradas em um podcast e, posteriormente, incorporadas e publicadas em um manual de acessibilidade para pessoas com deficiência. A metodologia adotada baseou-se na pesquisa documental (Sá-Silva; Almeida; Guindani, 2009), enquanto a análise dos dados seguiu a abordagem de análise de conteúdo proposta por Bardin (2016). A estrutura do estudo contemplou, na primeira parte, discussões sobre o uso do podcast como ferramenta de divulgação científica acessível, conforme apresentado por Freire (2011) e outros autores. Na segunda parte, realizou-se a análise dos dados à luz das dimensões de acessibilidade propostas por Sassaki (2009), das quais foram selecionadas três, em razão da quantidade significativa de recomendações descritas no podcast: (1) acessibilidade arquitetônica e espacial; (2) acessibilidade comunicacional; e (3) acessibilidade atitudinal. Entre as conclusões, verifica-se que os saberes sobre inclusão escolar descritos pelo estudante cego orientam a promoção da acessibilidade em diferentes dimensões. Assim, a acessibilidade física não se restringe à disponibilização de recursos, mas envolve também a organização espacial de móveis e objetos, a posição do estudante em sala de aula, a postura do professor em relação à pessoa cega, entre outros aspectos. A acessibilidade comunicacional extrapola a distribuição de tecnologias assistivas, abrangendo todos os espaços institucionais acadêmicos e a formação adequada de todos os profissionais da instituição para o uso dessas tecnologias. A acessibilidade atitudinal, por sua vez, requer a conscientização contínua da comunidade escolar acerca das especificidades do estudante cego, o fortalecimento das relações interpessoais e a garantia de seu direito a uma educação equitativa. Destaca-se, ainda, a importância do reconhecimento da escuta e do protagonismo da pessoa cega na construção de um sistema educacional inclusivo e equitativo nos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia.

Biografias dos Autores

Ricardo Allan de Carvalho Rodrigues, Instituto Federal do Espírito Santo

Mestre em Educação Profissional pelo Instituto Federal do Espírito Santo – IFES

Leticia Bianca Barros de Moraes Lima, Instituto Federal de Brasília – IFB

Pós-Doutora em Acessibilidade pela Universidad de Las Palmas de Gran Canaria, ULPGC, Espanha

Armando Ribeiro Batista, Instituto Federal de Brasília – IFB

Tecnólogo em Gestão Pública pelo Instituto Federal de Brasília – IFB

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Publicado
2026-02-06