Benjamin Constant https://revista.ibc.gov.br/index.php/BC <p>A revista&nbsp;<em>Benjamin Constant</em> (BC), veículo de difusão científica e cultural, é um periódico do <a href="http://www.ibc.gov.br/">Instituto Benjamin Constant</a> (IBC). Tem como missão publicar trabalhos inéditos, de autores brasileiros e estrangeiros, que contribuam para o conhecimento e o desenvolvimento do pensamento crítico e da pesquisa, na área de conhecimento interdisciplinar nas temáticas da deficiência visual, da deficiência visual associada a outras deficiências e da surdocegueira.</p> Instituto Benjamin Constant pt-BR Benjamin Constant 1414-6339 Reflexões sobre o curso de Massoterapia do Instituto Benjamin Constant e material didático adaptado em thermoform https://revista.ibc.gov.br/index.php/BC/article/view/1026 <p>Objetiva-se, aqui, investigar a importância da elaboração de material didático de Reflexologia Podal acessível e especializado em alto-relevo e reproduzido em <em>Thermoform</em> para pessoas com baixa visão e cegas na promoção do aprendizado inclusivo e eficaz, visando à construção da identidade profissional e social desses indivíduos. Para tanto, inicialmente realizaram-se pesquisas bibliográficas e posteriormente realizaram-se entrevistas com alunos do curso — ao todo, três pessoas foram entrevistadas. A conversa com o primeiro participante pretendeu identificar a importância do material bidimensional adaptado de reflexologia para alunos com deficiência visual e observar a relevância deste material no aprendizado e no desenvolvimento social do cidadão. Com o segundo, percebeu-se a satisfação do aluno por ter um material acessível, que promovesse identificação do desenho, segurança no material (por não ser pesado nem oferecer risco), facilidade de compreensão da figura, realização de novas perspectivas de acordo com estudos (inclusive fora do curso), motivação para estudar e seguir no mercado de trabalho. A terceira entrevista, por sua vez, viabilizou reflexões sobre a importância das cores e das texturas e relatando como esses detalhes facilitaram a compreensão do desenho referido. Ao final, os dados do campo foram analisados e inferências foram realizadas. Os dados sugerem, entre outras questões, que a importância do material didático adaptado para pessoas com deficiência visual não só impacta no aprendizado, mas também na motivação dos alunos.</p> Cleia Maria dos Santos Pereira Rosa Lidice de Moraes Valim Regina Celia Pereira de Moraes Copyright (c) 2025 Benjamin Constant 2025-12-15 2025-12-15 31 69 1 20 e316901 A inclusão escolar de pessoas com deficiência visual no Ensino Médio https://revista.ibc.gov.br/index.php/BC/article/view/1045 <p>Este estudo analisa os processos inclusivos de estudantes com deficiência visual no Ensino Médio das escolas estaduais de Uruguaiana (RS), avaliando a eficácia das ações e recursos disponíveis para sua plena inclusão. A pesquisa aborda a articulação entre o Atendimento Educacional Especializado (AEE), professores regulares, gestores e famílias, além da infraestrutura das Salas de Recursos Multifuncionais (SRM). Os resultados apontam avanços, como a existência de fluxos definidos para a inclusão e a colaboração entre os atores envolvidos. No entanto, identificam-se fragilidades significativas, como a falta de formação continuada para professores das classes regulares e das SRM, dificultando a adaptação pedagógica. Outro desafio é a escassez de tecnologias assistivas e materiais didáticos acessíveis, essenciais para o aprendizado dos alunos com deficiência visual. A infraestrutura das escolas também se mostra insuficiente, com limitações nas SRM, que nem sempre dispõem de equipamentos adequados. Essas deficiências comprometem a efetividade da inclusão, reforçando a necessidade de maiores investimentos em recursos humanos e materiais. Conclui-se que, embora existam diretrizes e esforços para a inclusão, a implementação das políticas ainda é falha. Para garantir uma educação inclusiva e de qualidade, é fundamental capacitar os professores, ampliar o acesso a tecnologias assistivas e melhorar a estrutura das escolas. O estudo reforça a importância de uma ação integrada entre poder público, instituições de ensino e comunidade, visando superar as barreiras que impedem a real inclusão dos estudantes com deficiência visual.</p> Rita de Cascia de Ribeiro Sotelo Carla Marielly Rosa Mara Regina Marzari Vanderlei Folmer Copyright (c) 2025 Benjamin Constant 2025-12-15 2025-12-15 31 69 1 21 e316902 Audiodescrição no ensino das Ciências Sociais: biomas brasileiros https://revista.ibc.gov.br/index.php/BC/article/view/1049 <p>Este artigo apresenta uma proposta de audiodescrição aplicada ao ensino dos biomas brasileiros, com foco na promoção da acessibilidade comunicacional para estudantes com deficiência visual, baixa visão ou visão monocular. A partir dos referenciais de Motta (2016; 2018) e dos fundamentos da Análise do Discurso de Orlandi (1987), foram estabelecidos critérios para a elaboração de roteiros audiodescritos de imagens presentes em conteúdos didáticos, com ênfase na Mata Atlântica. O estudo organizou-se em três etapas: identificação das especificidades cartográficas e imagéticas; definição de elementos discursivos orientadores da tradução audiovisual; e elaboração das audiodescrições considerando informações técnicas, contextuais e descritivas. Os resultados demonstram que a audiodescrição amplia significativamente o acesso aos conteúdos geográficos e ambientais, permitindo a construção de representações mentais mais precisas sobre os biomas. Evidenciam, ainda, o potencial pedagógico desse recurso para fortalecer práticas inclusivas, enriquecer a compreensão conceitual e promover o engajamento de todos os estudantes em processos de aprendizagem ambiental e científica.</p> Naiane Santos Paudarco Silva Sandrine Montes Assis de Bem Eliana Lúcia Ferreira Copyright (c) 2026 Benjamin Constant 2026-01-27 2026-01-27 31 69 1 13 e316906 A mesa braille “braillena” como recurso didático na alfabetização de pessoas com deficiência visual https://revista.ibc.gov.br/index.php/BC/article/view/1086 <p>A alfabetização do aluno com deficiência visual na escola regular é o tema principal deste trabalho, o qual carrega em seu bojo uma reflexão aprofundada sobre a temática proposta. Este artigo é fruto de uma pesquisa desenvolvida no âmbito de um Mestrado Profissional em Gestão, Planejamento e Ensino, voltado à articulação entre investigação acadêmica e elaboração de um produto técnico-tecnológico aplicado ao contexto educacional inclusivo. Essa abordagem comprova a necessidade de reexaminar a realidade escolar de modo que se compreenda os desafios existentes na alfabetização de alunos com deficiência visual, já que se pode traduzir o processo de inclusão na capacidade de oferecer respostas eficazes à aprendizagem desses estudantes. A ideia para construção deste produto surgiu a partir da observação das dificuldades de coordenação motora fina, principalmente na mão esquerda de um aluno com deficiência visual em idade de alfabetização atendido na sala de recursos de uma escola estadual. Nesse sentido, objetiva-se no presente estudo, evidenciar a importância do material técnico especializado – Mesa <em>Braille</em> –, na alfabetização do aluno com deficiências da visão, propondo a “<em>BRAILLENA</em>” para facilitar a tarefa docente no processo de alfabetização e na aprendizagem do Sistema <em>Braille</em>. E para tanto, trata-se de uma pesquisa de natureza qualitativa, do tipo descritiva, conduzida por meio de entrevistas semiestruturadas com professores do Ensino Fundamental I, com o intuito de se compreender a perspectiva desses profissionais em relação ao uso do material técnico especializado na prática pedagógica, especificamente, nesse período escolar tão relevante do discente com deficiências visuais. Logo, o tema discutido ressalta, ainda, a importância do material didático especializado na aprendizagem, uma vez que busca estimular reflexões que impulsionem a tangíveis transformações no âmbito educacional, contribuindo, portanto, à uma inclusão efetiva de pessoas com deficiências visuais.</p> Marilene Mantovani Espíndola Villela Terezinha Richartz Copyright (c) 2026 Benjamin Constant 2026-01-27 2026-01-27 31 69 1 18 e316907 Recomendações em podcast para o atendimento do estudante cego no IFB https://revista.ibc.gov.br/index.php/BC/article/view/1063 <p>A pessoa cega, mais do que um discente em uma instituição acadêmica, é também detentora de saberes e, portanto, protagonista na construção de sistemas educacionais inclusivos, a partir da contribuição da elaboração e difusão de sua pesquisa científica. Este estudo teve como objetivo refletir sobre as barreiras à inclusão no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Brasília (IFB) segundo as percepções de um estudante cego matriculado na instituição, registradas em um podcast e, posteriormente, incorporadas e publicadas em um manual de acessibilidade para pessoas com deficiência. A metodologia adotada baseou-se na pesquisa documental (Sá-Silva; Almeida; Guindani, 2009), enquanto a análise dos dados seguiu a abordagem de análise de conteúdo proposta por Bardin (2016). A estrutura do estudo contemplou, na primeira parte, discussões sobre o uso do podcast como ferramenta de divulgação científica acessível, conforme apresentado por Freire (2011) e outros autores. Na segunda parte, realizou-se a análise dos dados à luz das dimensões de acessibilidade propostas por Sassaki (2009), das quais foram selecionadas três, em razão da quantidade significativa de recomendações descritas no podcast: (1) acessibilidade arquitetônica e espacial; (2) acessibilidade comunicacional; e (3) acessibilidade atitudinal. Entre as conclusões, verifica-se que os saberes sobre inclusão escolar descritos pelo estudante cego orientam a promoção da acessibilidade em diferentes dimensões. Assim, a acessibilidade física não se restringe à disponibilização de recursos, mas envolve também a organização espacial de móveis e objetos, a posição do estudante em sala de aula, a postura do professor em relação à pessoa cega, entre outros aspectos. A acessibilidade comunicacional extrapola a distribuição de tecnologias assistivas, abrangendo todos os espaços institucionais acadêmicos e a formação adequada de todos os profissionais da instituição para o uso dessas tecnologias. A acessibilidade atitudinal, por sua vez, requer a conscientização contínua da comunidade escolar acerca das especificidades do estudante cego, o fortalecimento das relações interpessoais e a garantia de seu direito a uma educação equitativa. Destaca-se, ainda, a importância do reconhecimento da escuta e do protagonismo da pessoa cega na construção de um sistema educacional inclusivo e equitativo nos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia.</p> Ricardo Allan de Carvalho Rodrigues Leticia Bianca Barros de Moraes Lima Armando Ribeiro Batista Copyright (c) 2026 Benjamin Constant 2026-02-06 2026-02-06 31 69 1 20 e316908 Desenhos de alunos com deficiência visual analisados à luz de Vigotski https://revista.ibc.gov.br/index.php/BC/article/view/1083 <p>O ato de desenhar e colorir constitui uma das expressões artísticas por meio das quais a criança verbaliza seus pensamentos, concepções e ideais, de acordo com sua imaginação e sentimento. Essa prática também é possível para crianças com deficiência visual, pois, antes de tudo, elas são crianças, e essa constatação rompe com paradigmas que limitam suas formas de expressão. Nesse contexto, este artigo analisa os desenhos produzidos por discentes com deficiência visual como representações do conceito de Centro de Gravidade. O estudo fundamenta-se na Teoria Histórico-Cultural desenvolvida por Vigotski, que concebe a aprendizagem como um processo mediado socialmente, no qual signos e significados são construídos e ressignificados na formação do conhecimento científico. Sob essa ótica, o desenho configura-se como um instrumento mediador, articulando os elementos da tríade planejamento-aluno-mundo, em um entrelaçamento que se concretiza tanto na sala de aula quanto em todos os outros espaços. O texto trata-se de um recorte de uma pesquisa de doutorado, de um dos autores, realizada em duas turmas do 3º ano do Ensino Fundamental em uma escola especializada no Rio de Janeiro, nas quais os desenhos foram elaborados durante as aulas de Ciências. Os resultados evidenciam as interpretações singulares dos alunos e demonstram que as expressões artísticas funcionaram como instrumentos para explicitar conceitos, promovendo o encadeamento entre conhecimento científico e saberes sociais a respeito do Centro de Gravidade. Conclui-se que, sob essa perspectiva, o desenho assume papel relevante na formação de tais conceitos e integra o planejamento pedagógico, as especificidades do aluno e o contexto sociocultural, sendo a mediação docente facilitadora para o desenvolvimento da aprendizagem.</p> Sofia Castro Hallais Thiago de Souza Gonzalez Maria da Conceição de Almeida Barbosa-Lima Copyright (c) 2026 Benjamin Constant 2026-03-23 2026-03-23 31 69 1 18 e316910 Tipologia da surdocegueira: um modelo integrado e alinhado às etapas do desenvolvimento sensorial https://revista.ibc.gov.br/index.php/BC/article/view/1101 <p>A percepção humana é mediada por múltiplos sentidos, com ênfase na visão e na audição, tanto na tecnologia quanto na linguagem. Isso representa um desafio significativo para o bem-estar emocional, saúde, interação social e construção de conhecimento de pessoas com surdocegueira. O desenvolvimento da linguagem e das abstrações sociais nesse contexto ocorre por meio de estágios, que vão do pré-linguístico ao pós-linguístico, indo da comunicação pré-verbal (0–12 meses) até a fase sênior (60+ anos), moldando como o significado é absorvido e expresso. No entanto, as classificações tradicionais de surdocegueira frequentemente falham em capturar essa complexidade, tratando a deficiência de forma homogênea, o que limita tanto a compreensão quanto as intervenções adequadas. Isso gerou a necessidade de um modelo mais inclusivo, que reconhece as diferentes dimensões da condição e organiza a população em dois grupos principais (nascidos com e sem deficiência), com seis categorias e 2.256 perfis distintos. Esses perfis são essenciais para compreender as necessidades e potencialidades individuais de pessoas surdocegas, permitindo o desenvolvimento de abordagens mais personalizadas e eficazes para a sua inclusão social e educacional. Reconhecer as nuances dessa condição é crucial para a criação de estratégias que promovam uma inclusão verdadeira, respeitando as experiências únicas de cada pessoa. Com a adoção desse modelo, podemos avançar na implementação de tecnologias assistivas, políticas públicas e práticas educacionais mais eficazes, garantindo uma inclusão genuína que leva em conta as diversas necessidades e contextos vividos pelos indivíduos surdocegos. Esse enfoque pode, portanto, transformar a forma como entendemos e abordamos a inclusão dessa população.</p> Daniel Jimenez Batista Copyright (c) 2026 Benjamin Constant 2026-03-26 2026-03-26 31 69 1 19 e316911 Audiodescrição como possibilidade de inclusão em atividades de Artes na escola https://revista.ibc.gov.br/index.php/BC/article/view/1037 <p>Este estudo analisa os processos inclusivos de estudantes com deficiência visual no Ensino Médio das escolas estaduais de Uruguaiana (RS), avaliando a eficácia das ações e recursos disponíveis para sua plena inclusão. A pesquisa aborda a articulação entre o Atendimento Educacional Especializado (AEE), professores regulares, gestores e famílias, além da infraestrutura das Salas de Recursos Multifuncionais (SRM). Os resultados apontam avanços, como a existência de fluxos definidos para a inclusão e a colaboração entre os atores envolvidos. No entanto, identificam-se fragilidades significativas, como a falta de formação continuada para professores das classes regulares e das SRM, dificultando a adaptação pedagógica. Outro desafio é a escassez de tecnologias assistivas e materiais didáticos acessíveis, essenciais para o aprendizado dos alunos com deficiência visual. A infraestrutura das escolas também se mostra insuficiente, com limitações nas SRM, que nem sempre dispõem de equipamentos adequados. Essas deficiências comprometem a efetividade da inclusão, reforçando a necessidade de maiores investimentos em recursos humanos e materiais. Conclui-se que, embora existam diretrizes e esforços para a inclusão, a implementação das políticas ainda é falha. Para garantir uma educação inclusiva e de qualidade, é fundamental capacitar os professores, ampliar o acesso a tecnologias assistivas e melhorar a estrutura das escolas. O estudo reforça a importância de uma ação integrada entre poder público, instituições de ensino e comunidade, visando superar as barreiras que impedem a real inclusão dos estudantes com deficiência visual.</p> Samira de Moraes Maia Vigano Juliana Pompeu da Costa Copyright (c) 2025 Benjamin Constant 2025-12-16 2025-12-16 31 69 1 16 e316903 Acessibilidade digital para pessoas com baixa visão: uma análise da literatura sobre as Web Content Accessibility Guidelines (WCAG) 2.2 no contexto brasileiro https://revista.ibc.gov.br/index.php/BC/article/view/1121 <p>A acessibilidade digital é um direito fundamental que assegura o acesso igualitário à informação e à comunicação no ambiente on-line, especialmente para pessoas com deficiência visual. Este artigo tem como objetivo analisar a produção científica sobre as recomendações de acessibilidade para conteúdo web - <em>Web Content Accessibility Guidelines (WCAG) 2.2</em> - e sua aplicação na promoção da acessibilidade digital para pessoas com baixa visão, no contexto brasileiro. Para tanto, foi realizada uma busca sistemática nas bases Lilacs, Scielo e Google Acadêmico, com critérios de inclusão voltados para estudos que abordassem diretamente a implementação ou avaliação das diretrizes <em>WCAG</em> em ambientes digitais acessados por pessoas com deficiência visual. Os resultados evidenciaram uma escassez significativa de estudos: nenhum artigo específico sobre <em>WCAG 2.2</em> foi encontrado nas bases tradicionais, e apenas seis estudos dos 29 identificados atenderam aos critérios estabelecidos. Essa limitação se justifica, em parte, pela recente publicação das diretrizes, em outubro de 2023. Além disso, dados de estudos nacionais indicam um cenário preocupante: menos de 1% dos sites brasileiros conseguem aprovação em testes básicos de acessibilidade, e cerca de 79,4% dos profissionais de tecnologia da informação nunca passaram por treinamento formal sobre acessibilidade digital. Os sistemas apresentaram problemas recorrentes de contraste visual inadequado, navegação inexistente por teclado e ausência de textos alternativos em elementos gráficos, comprometendo o acesso à informação, à educação, às oportunidades profissionais e à autonomia cotidiana de pessoas com deficiência visual. Conclui-se que há uma discrepância preocupante entre a disponibilidade das diretrizes <em>WCAG</em> 2.2 e sua implementação efetiva no Brasil, o que evidencia a necessidade urgente de ações coordenadas que incluem: capacitação profissional, sensibilização da sociedade e o reconhecimento da acessibilidade digital como responsabilidade ética e política no cenário da inclusão tecnológica.</p> Rodrigo Minutti Recchia Daniela Aparecida Mario Mariana Santis Sampaio Mattos Amanda Amorim Rodrigues Maria Elisabete Salvador Graziosi Rita Simone Lopes Moreira Cecília Francini Cabral de Vasconcellos Vagner Rogério dos Santos Copyright (c) 2026 Benjamin Constant 2026-03-19 2026-03-19 31 69 1 19 e316909 À margem da luz, no centro da luta: a caminhada de uma mulher cega no sudeste de Goiás https://revista.ibc.gov.br/index.php/BC/article/view/1072 <p>O presente artigo, intitulado “À margem da luz, no centro da luta: a caminhada de uma mulher cega do sudeste de Goiás", consiste em um relato de experiência baseado na trajetória acadêmica e escolar de uma mulher cega, refletindo sobre as diversas formas de discriminação enfrentadas ao longo de sua formação. O estudo é um recorte da dissertação de mestrado (Izidoro, 2020) defendida no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Catalão e tem como objetivo analisar os desafios vivenciados, sejam eles lícitos ou ilícitos, e as estratégias utilizadas até a conquista do título de Mestre em Educação no ano de 2020. A pesquisa foi conduzida sob a perspectiva da narrativa (Reis, 2023), permitindo que a autora revisite sua própria história com um olhar crítico e reflexivo. O texto propõe uma leitura distanciada e, ao mesmo tempo, íntima da trajetória acadêmica, promovendo uma nova compreensão sobre os desafios da inclusão. Os resultados apontam que, apesar dos avanços nas políticas inclusivas, ainda há barreiras significativas que dificultam o acesso e a permanência de pessoas com deficiência na escola e no Ensino Superior, principalmente na pós-graduação. Conclui-se, portanto, que a superação da discriminação ilícita não se trata apenas de um esforço individual, mas de uma busca coletiva pela efetivação da dignidade da pessoa humana enquanto fundamento republicano.</p> Renata Vicente Izidoro Claudia Tavares do Amaral Copyright (c) 2025 Benjamin Constant 2025-12-16 2025-12-16 31 69 1 15 e316904 Intervenção fonoaudiológica na deficiência visual congênita: um relato de experiência https://revista.ibc.gov.br/index.php/BC/article/view/1091 <p>Este artigo apresenta um relato de experiência detalhado sobre uma intervenção fonoaudiológica realizada ao longo de um ano com Teodoro, uma criança cega congênita. O objetivo central do estudo foi descrever e analisar as características do desenvolvimento da linguagem observadas durante esse período, destacando os avanços e desafios enfrentados ao longo do processo. A intervenção foi planejada de forma individualizada, levando em consideração as necessidades específicas da criança, suas potencialidades e seu contexto familiar. Durante o acompanhamento, foram utilizados recursos e estratégias adaptadas, como estímulos sensoriais, atividades de exploração tátil e auditiva, além de orientações para os cuidadores, visando promover a interação e o desenvolvimento linguístico de forma integrada. Os resultados obtidos evidenciam que, apesar das limitações estruturais presentes na linguagem oral, a comunicação de Teodoro apresentou avanços significativos na organização simbólica. Esse progresso foi particularmente evidenciado durante situações de jogo simbólico mediado, nas quais se observou o uso funcional e intencional da linguagem. Verificou-se, ainda, um aumento progressivo na iniciativa comunicativa, na compreensão dos turnos conversacionais e na utilização articulada de recursos verbais e não verbais para a consecução de objetivos comunicativos. Isso valida a relevância da atuação fonoaudiológica no favorecimento da aquisição e desenvolvimento da linguagem, demonstrando que, mesmo em contextos atípicos, a intervenção especializada pode promover avanços significativos. Além disso, o estudo reforça a importância de uma intervenção contínua e multidisciplinar que considere as particularidades de cada caso, promovendo uma intervenção mais efetiva e humanizada. Os resultados também sugerem que estratégias sensoriais e o uso de recursos táteis e auditivos podem ser altamente eficazes no desenvolvimento linguístico de crianças com deficiência visual congênita, contribuindo para ampliar as possibilidades de comunicação e autonomia.</p> Juliana de Sá Machado Guilam Machado Luiz Augusto de Paula Souza Copyright (c) 2025 Benjamin Constant 2025-12-16 2025-12-16 31 69 1 13 e316905