Benjamin Constant https://revista.ibc.gov.br/index.php/BC <p>A revista&nbsp;<em>Benjamin Constant</em> (BC), veículo de difusão científica e cultural, é um periódico do <a href="http://www.ibc.gov.br/">Instituto Benjamin Constant</a> (IBC). Tem como missão publicar trabalhos inéditos, de autores brasileiros e estrangeiros, que contribuam para o conhecimento e o desenvolvimento do pensamento crítico e da pesquisa, na área de conhecimento interdisciplinar nas temáticas da deficiência visual, da deficiência visual associada a outras deficiências e da surdocegueira.</p> Instituto Benjamin Constant pt-BR Benjamin Constant 1414-6339 Iconografia no ensino de História: uma proposta pedagógica inclusiva para estudantes com deficiência visual https://revista.ibc.gov.br/index.php/BC/article/view/1073 <p>Dentro do ensino de História, a iconografia é considerada não só um valioso recurso de representação do tempo passado como também documentação histórica, material pedagógico fundamental para a produção do conhecimento histórico e desenvolvimento do raciocínio crítico sobre a História. Com o avanço das tecnologias digitais e de comunicação, as imagens têm ganhado cada vez mais importância na sociedade, uma vez que as interações sociais recebem forte apelo da visualidade e muitas das situações cotidianas são intermediadas pelos recursos visuais. Esta característica da contemporaneidade influencia diretamente o contexto educacional e deixa evidente a necessidade de um ensino que promova uma análise crítica sobre a iconografia. Nesse sentido, escolas inclusivas que atendem alunos com deficiência visual têm um desafio em suas práticas pedagógicas para tornar esse material acessível ao seu alunado. Este artigo pretende refletir sobre os dados referentes a uma intervenção pedagógica inclusiva, feita em parceria com um professor de História, que envolveu o uso e a análise da iconografia como fonte documental e como recurso didático da disciplina, em uma turma que tinha um estudante cego matriculado. O texto traz os resultados dessa pesquisa, ocorrida em uma sala de aula do 7º ano do Ensino Fundamental de uma escola inclusiva da rede pública municipal de São Paulo. Os dados coletados foram analisados seguindo o referencial teórico de Bardin (2016). A partir da proposta pedagógica, procurou-se refletir e apontar possibilidades no ensino de História que fossem pautadas em uma abordagem multissensorial e fundamentadas na fenomenologia de Merleau-Ponty (1999), de forma a permitir ao estudante com deficiência visual desenvolver uma análise mais completa da iconografia.</p> Gabriel Bertozzi de Oliveira e Sousa Leão Copyright (c) 2026 Benjamin Constant 2026-09-22 2026-09-22 32 70 1 22 e327001 Proposta de um guia didático para produção de materiais educacionais acessíveis em películas plásticas por meio do processo de termoformagem https://revista.ibc.gov.br/index.php/BC/article/view/1159 <p>A Lei Brasileira de Inclusão assegura o direito à acessibilidade e destaca a importância da Tecnologia Assistiva como instrumento fundamental para promover a inclusão e a autonomia das pessoas com deficiência. Nesse contexto, os recursos educacionais acessíveis desempenham papel essencial no desenvolvimento de alunos com deficiência visual, possibilitando sua participação efetiva no ambiente escolar. O Instituto Benjamin Constant, referência nacional na educação de pessoas com deficiência visual, destaca-se na produção de materiais grafotáteis confeccionados em películas plásticas de PVC transparentes por meio do processo de termoformagem. Essa técnica permite que materiais educacionais texturizados possam ser replicados em películas plásticas que apresentam como características durabilidade, precisão e menor custo para produção em larga escala. Nesse contexto, o objetivo desta pesquisa foi elaborar um guia didático que oriente professores e demais profissionais que queiram termoformar materiais educacionais por meio da termoformagem em películas plásticas. O levantamento realizado na literatura indica uma lacuna de documentos que orientem a produção de materiais termoformados, o que reforça a relevância deste projeto. Trata-se de uma pesquisa de campo exploratória com abordagem qualitativa. A coleta de dados foi realizada por meio de formulários eletrônicos com questionários semiestruturados, respondidos seis participantes com conhecimento da técnica de termoformagem e dois participantes que desconheciam e/ou não utilizam o processo de termoformagem no seu cotidiano escolar para avaliar o guia didático. O conteúdo textual das respostas foi submetido à análise lexicográfica. O guia didático reúne orientações, especificações, imagens e técnicas sobre a termoformagem de películas plásticas, considerando experiências prévias, referências bibliográficas e resultados dos testes já realizados, e explana de forma simples e objetiva os aspectos referentes à termoformagem em películas plásticas aos participantes que desconheciam e/ou não utilizavam o processo de termoformagem. A análise do documento pelos participantes foi profícua, tendo em vista que eles consideraram que as técnicas apresentadas estavam bem descritas e que poderiam ser replicadas junto aos alunos com deficiência visual.</p> Thaís Fortunato de Mendonça Aires da Conceição Silva Copyright (c) 2026 Benjamin Constant 2026-10-06 2026-10-06 32 70 1 20 e327016 Desafios e conquistas de uma discente com baixa visão no ensino superior: a experiência de um bolsista do Núcleo de Acessibilidade https://revista.ibc.gov.br/index.php/BC/article/view/1122 <p>O presente artigo apresenta um relato de experiência vivenciado por um bolsista do Núcleo de Acessibilidade (NAC) da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), no acompanhamento de uma discente com baixa visão no ensino superior. O objetivo é descrever e analisar o papel desempenhado pelo bolsista no processo de inclusão da estudante, considerando os desafios enfrentados, as estratégias desenvolvidas para promover a acessibilidade e a participação acadêmica, bem como as conquistas alcançadas durante o acompanhamento. A experiência fundamenta-se em uma perspectiva inclusiva e busca contribuir para a reflexão sobre a importância de práticas pedagógicas acessíveis e adequadas às necessidades de estudantes com deficiência visual. Durante o acompanhamento, foram identificados desafios relacionados ao acesso e à adaptação de materiais didáticos, à acessibilidade tecnológica, à organização das atividades acadêmicas e à utilização de metodologias compatíveis com as necessidades da discente. Em articulação com a equipe do NAC e os docentes, o bolsista desenvolveu estratégias voltadas à superação dessas barreiras, incluindo apoio na adaptação e organização de materiais, utilização de recursos tecnológicos acessíveis, acompanhamento das atividades e mediação da comunicação entre os envolvidos. A experiência evidenciou que a inclusão no ensino superior ultrapassa a garantia de matrícula, demandando condições efetivas de acessibilidade, participação e aprendizagem. Entre as principais conquistas, destacam-se o fortalecimento da autonomia da discente, a ampliação de sua participação nas atividades acadêmicas, o aprimoramento das práticas inclusivas e a sensibilização da comunidade universitária acerca da acessibilidade. Os resultados indicam que o acompanhamento individualizado, aliado ao suporte institucional e à articulação entre bolsista, docentes, NAC e discente, foi fundamental para identificar e superar barreiras. Conclui-se que estratégias pedagógicas personalizadas são essenciais para promover condições equitativas de acesso, permanência e aprendizagem no ensino superior.</p> Adrian Martins Silva Luciene Amaral da Silva Copyright (c) 2026 Benjamin Constant 2026-09-22 2026-09-22 32 70 1 11 e327015 Editorial https://revista.ibc.gov.br/index.php/BC/article/view/1190 Raffaela Lupetina Flavia Daniela dos Santos Moreira Copyright (c) 2026 Benjamin Constant 2026-09-24 2026-09-24 32 70 1 3 e327014 Cordel em braille: Educação que rima com inclusão no Ensino Fundamental I https://revista.ibc.gov.br/index.php/BC/article/view/1111 <p>A Literatura de Cordel é um gênero textual que trabalha a oralidade e a escrita e está fortemente presente na cultura popular brasileira, principalmente no Nordeste do Brasil. Levar o cordel para a sala de aula pressupõe não apenas conhecimentos acerca desse gênero literário, mas também sobre o público diverso que vem adentrando os espaços escolares na atualidade, de acordo com o que preceitua a legislação brasileira sobre a educação. Neste ensaio teórico apresentamos uma sequência didática envolvendo o cordel para alunos videntes e cegos coletivamente, em turmas do Ensino Fundamental I, no contexto de uma escola pública de Niterói, no estado do Rio de Janeiro, sem excluir a possibilidade de aplicação das atividades a contextos históricos de outros municípios. A proposta tem como base de reflexão a pesquisa bibliográfica e as experiências vivenciadas pelas autoras. O trabalho em sala de aula com alunos cegos tem peculiaridades em relação à escrita — que deve ser feita utilizando-se o Sistema Braille e os recursos como máquina de escrever em braille, a reglete e o punção — e ao desenho, que pressupõe o uso da tela de desenho. Para a utilização adequada dos recursos de Tecnologia Assistiva no âmbito educacional, é de suma importância que profissionais da educação e professores regentes de turma conheçam as particularidades desses estudantes, de modo a possibilitar-lhes caminhos satisfatórios ao aprendizado. A iniciativa desse artigo surgiu da preocupação de se realizar um trabalho docente verdadeiramente inclusivo na prática para estudantes com comprometimentos sensoriais, como é o caso da cegueira. O texto dialoga com teóricos especialistas da deficiência visual, que contribuem com seus estudos, e com a legislação pertinente à Educação Especial na perspectiva da educação inclusiva.</p> Valéria Cristina da Silva Corrêa Dias Monica de Lima Bastos Copyright (c) 2026 Benjamin Constant 2026-09-22 2026-09-22 32 70 1 15 e327002 Deficiência múltipla, processamento sensorial e desenvolvimento: dos desafios às potencialidades de desenvolvimento https://revista.ibc.gov.br/index.php/BC/article/view/1112 <p>Este artigo é um ensaio teórico que aborda as especificidades de desenvolvimento de pessoas com deficiência múltipla sensorial, considerando os desafios relacionados ao processamento sensorial. Entendemos a deficiência múltipla como uma condição heterogênea que identifica diferentes grupos de pessoas que têm mais de uma deficiência associada, em condições que podem ser muito diversas. Em meio a este público, encontramos os estudantes com deficiência múltipla sensorial, apresentando especificidades relacionadas à deficiência auditiva e/ou visual. Os desdobramentos desta combinação de deficiências trazem impactos significativos no desenvolvimento destas pessoas. Tendo em vista a perspectiva histórico-cultural, com foco nas premissas vigotskianas de desenvolvimento humano, é elencado o conceito de compensação, que, sob a análise do ambiente em que se vive, entende que as limitações podem ser superadas, buscando-se caminhos alternativos em prol do desenvolvimento. Mediante a este pressuposto teórico, e pensando nas realidades de ensino, discute-se como sistemas de apoios podem se constituir como instrumentos de compensação da deficiência. Tomamos como referências os indicadores da Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde – CIF e da Associação Americana de Deficiência Intelectual e Desenvolvimento – AAIDD. Observa-se a importância de planejamentos educacionais e a avaliação de processos para a observação de necessidades da pessoa com deficiência múltipla sensorial em consonância com o ambiente em que está inserida. Neste cenário, torna-se imprescindível compreender como se dá o processamento sensorial e a sua contribuição para o desenvolvimento humano. Por fim, destaca-se que, por meio da construção de sistemas de apoio e suportes, possibilidades de compensação passam a ser visualizadas e potenciais dos estudantes, oportunizados.</p> Maíra Gomes de Souza da Rocha Flávia Daniela dos Santos Moreira Copyright (c) 2026 Benjamin Constant 2026-09-22 2026-09-22 32 70 1 17 e327003 Avaliação funcional da visão como fator determinante na escolha de recursos de comunicação aumentativa e alternativa https://revista.ibc.gov.br/index.php/BC/article/view/1118 <p>O foco deste artigo é a reflexão sobre a importância da avaliação funcional da visão e a escolha de um recurso de comunicação aumentativa e alternativa (CAA) para as crianças com baixa visão associada a outras deficiências e necessidades complexas de comunicação. Para pessoas com esse perfil, as dificuldades aumentam, pois, se não há comunicação por meio da fala, logo, deve ser inserida a CAA. Exatamente pela singularidade da avaliação funcional da visão, é importante que os profissionais fiquem atentos às situações observadas na criança com baixa visão, pois se ela não fala e possui uma singularidade visual, isso pode dificultar as respostas sobre os testes visuais e isso influenciará nas estratégias para a utilização de algo para comunicação. Além disso, a maior parte dos recursos da CAA são visuais, sendo necessários recursos táteis para realizar a comunicação. Essa afirmação nos remete ao seguinte questionamento: quais critérios são fundamentais para escolher um recurso de comunicação aumentativa e alternativa para uma criança com baixa visão associada a outra deficiência? O objetivo é enfatizar a importância da análise dos critérios da avaliação funcional da visão para a escolha de um recurso da CAA. Para isso foi realizada uma pesquisa bibliográfica sobre a temática, com a intenção de levantar e analisar referências teóricas para embasar o tema em questão. A criança com baixa visão associada a outras deficiências precisa ser ativa no meio social e no processo de aprendizagem, o fato de ela não se comunicar por meio da fala não significa que não tem nada a dizer ou não compreende, logo, ela precisa praticar para que sua interação com seus pares seja promovida.</p> Jaqueline de Oliveira Costa Melo Copyright (c) 2026 Benjamin Constant 2026-09-22 2026-09-22 32 70 1 15 e327004 Desenvolvimento de materiais didáticos acessíveis e de baixo custo para o ensino de Microbiologia a pessoas com deficiência visual https://revista.ibc.gov.br/index.php/BC/article/view/1100 <p>No decorrer dos anos, surgiu uma nova necessidade no âmbito educacional com a finalidade de abranger as pessoas levando em conta todas as suas particularidades. Nesse sentindo, a inclusão social propõe o acolhimento, valorização e a garantia de que todos alcancem seu potencial desejado. O aumento no número de matrículas na Educação Especial tem levado as instituições de ensino a se adaptarem continuamente, utilizando ferramentas inclusivas e inovadoras no processo educacional. No contexto acadêmico, os cursos da área da Saúde incluem disciplinas morfológicas em suas grades curriculares. Essas disciplinas frequentemente utilizam aulas práticas, muitas vezes com o auxílio de microscopia óptica e eletrônica para o aprendizado. No entanto, esses recursos não são acessíveis para alunos com deficiência visual, o que representa um desafio significativo para a educação dessas pessoas e um obstáculo no processo de ensino-aprendizagem. Baseando-se nisso, este estudo teve como propósito a elaboração de um material didático de baixo custo, durável, não tóxico, e adequado para utilização nas aulas de Microbiologia; e, em segundo momento, foi pautada uma pesquisa de opinião para verificação de sua eficácia. Para a elaboração da maquete, foram utilizados isopores de diferentes formas, tamanhos e espessuras, bem como materiais que pudessem ter texturas diferentes ao tato para diferenciar as classes apresentadas. Para isso, foram utilizadas tintas de silicone com texturas, tinta plástica (Acrilex) colorida, etileno acetato de vinila (EVA), papel cartão, barbante, papel camurça e massa para biscuit. Os resultados mostraram-se satisfatórios, mostrando o nível de entendimentos nos dois grupos instaurados para a pesquisa. O material utilizado mostrou-se durável, sensível ao tato, e adequado ao ensino quando associado também ao braille. Concluiu-se que os modelos elaborados podem ser considerados recursos significativos devido à possibilidade dos discentes de se apropriarem do conceito concreto das estruturas e entenderem a imagem tridimensionalmente.</p> Washington Douglas Teixeira Rodrigues Bruno Henrique Andrade Galvão Copyright (c) 2026 Benjamin Constant 2026-09-24 2026-09-24 32 70 1 11 e327005 Editorial https://revista.ibc.gov.br/index.php/BC/article/view/1192 <p>.</p> Anderson Roges Teixeira Góes Angela Maria dos Santos Heliza Colaço Góes Copyright (c) 2026 Benjamin Constant 2026-10-06 2026-10-06 32 70 1 5 e327011 Inovação e desenvolvimento de Tecnologias Assistivas Educacionais: ações do NAPI-TA para a eliminação de barreiras no ensino https://revista.ibc.gov.br/index.php/BC/article/view/1138 <p>Este artigo analisa as ações desenvolvidas no âmbito do Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação em Tecnologia Assistiva (NAPI-TA), com ênfase nas iniciativas realizadas pelos pesquisadores que compõem o Grupo de Trabalho 02 – Tecnologia Assistiva em Interface com a Educação. O objetivo é analisar de que modo as Tecnologias Assistivas Educacionais (TAE) selecionadas materializam princípios do Desenho Universal (DU) e apresentam possibilidades de inserção em planejamentos orientados pelo Desenho Universal para Aprendizagem (DUA), com potencial para minimizar barreiras educacionais presentes na sala de aula comum. A pesquisa é qualitativa, de natureza descritivo-analítica e caráter documental, desenvolvida a partir de documentos institucionais, relatórios técnicos, registros de pesquisa e materiais pedagógicos produzidos no contexto do GT02. O corpus foi organizado em seis núcleos de análise: <em>Math Balance</em>, <em>Mobile Plan</em>, Quadro de Representações Tridimensionais (QRT), Anatomia Tátil 3D, <em>3D Fitting Cells</em> e audiodescrição didática. A análise considerou a antecipação de barreiras na concepção dos recursos, as possibilidades de acesso, representação, interação, ação e expressão no planejamento pedagógico e sua configuração como TAE. Os resultados evidenciam recursos concebidos com características de acessibilidade, como manipulação, contraste cromático, texturas, relevo, braille, modularidade e diferentes formas de representação e interação com os conteúdos. Essas características apresentam possibilidades de uso compartilhado por estudantes com e sem deficiência e de articulação com planejamentos pedagógicos orientados pelo DUA. Conclui-se que as ações analisadas articulam desenvolvimento tecnológico, acessibilidade e planejamento pedagógico, apresentando potencial para minimizar barreiras educacionais. Por se tratar de pesquisa documental, o estudo não avaliou efeitos diretos sobre aprendizagem, autonomia, desempenho ou participação dos estudantes.</p> Anderson Roges Teixeira Góes Angela Maria dos Santos Heliza Colaço Góes Copyright (c) 2026 Benjamin Constant 2026-10-06 2026-10-06 32 70 1 21 e327006 Acessibilidade Instrumental no ensino de Desenho Técnico: desenvolvimento e validação de um compasso adaptado via manufatura aditiva https://revista.ibc.gov.br/index.php/BC/article/view/1149 <p>A democratização do acesso ao ensino superior, impulsionada pela Lei Brasileira de Inclusão, impõe o desafio da permanência acadêmica, especialmente em cursos de Engenharias, Arquitetura e Design, que demandam competências gráficas complexas. O Desenho Técnico, tradicionalmente ensinado sob uma lógica visualista, configura-se como uma barreira instrumental severa para discentes com cegueira ou baixa visão devido à escassez de instrumentos adaptados que traduzam conceitos geométricos para a modalidade tátil-cinestésica. Este estudo objetivou desenvolver e prototipar um compasso acessível utilizando a manufatura aditiva como vetor de democratização da Tecnologia Assistiva. A metodologia adotou a abordagem de desenvolvimento focada no usuário, estruturando-se em ciclos iterativos de análise de contexto, design e avaliação prática. Partindo de um <em>benchmarking</em> que confirmou a inexistência de soluções comerciais e da seleção de um modelo <em>open source</em> em repositórios digitais, aplicou-se uma Matriz Morfológica para definição de requisitos, seguida de modelagem paramétrica em software CAD e impressão 3D em PLA. Os resultados dos primeiros ciclos de prototipagem revelaram limitações técnicas críticas: a resolução da impressão FDM em peças de dimensões reduzidas tornou a leitura da numeração em braille inviável devido à falta de espaço físico e definição tátil. As iterações projetuais levaram à incorporação de uma ponta seca fixa para garantir estabilidade no manuseio monomanual e, disruptivamente, à remoção total do braille em favor de um sistema intuitivo de contagem de furos. A validação final com o usuário confirmou que a simplificação do design aumentou a eficácia, permitindo a execução autônoma de circunferências. Conclui-se que a integração entre Design Centrado no Usuário e impressão 3D viabiliza a produção descentralizada de Tecnologia Assistiva de baixo custo, superando lacunas mercadológicas. O estudo demonstra que a Acessibilidade Instrumental efetiva não depende da complexidade tecnológica, mas da adequação ergonômica às necessidades reais de percepção háptica do usuário, promovendo a equidade no aprendizado espacial.</p> Marlon Coelho Pita Lucas Santos Reis Mariane de Jesus Batista Nilmar de Souza Copyright (c) 2026 Benjamin Constant 2026-10-06 2026-10-06 32 70 1 22 e327007 Desenvolvimento e aprimoramento do modelo tátil acessível Fitting Cells para o ensino de Citologia https://revista.ibc.gov.br/index.php/BC/article/view/1145 <p>Este artigo apresenta o desenvolvimento ampliado e o redesenho do recurso didático tátil Fitting Cells, concebido para apoiar o ensino de Citologia no Ensino Fundamental em uma perspectiva inclusiva. A proposta busca favorecer o acesso de estudantes com deficiência visual e ampliar as possibilidades de exploração multissensorial das células animal e vegetal por meio de modelos tridimensionais produzidos com impressão 3D. O estudo, de natureza aplicada e abordagem qualitativa, descreve o processo técnico-metodológico que envolveu modelagem digital, impressão dos protótipos, adequação tátil, identificação em braille e contraste visual, resultando em melhorias na legibilidade, na previsibilidade tátil e na organização estrutural das peças. A versão atualizada do material incorporou placas individuais com organelas em relevo, relação tátil entre forma e função, uso de cores contrastantes e escrita braille no padrão BRL-1, ampliando sua acessibilidade física, perceptiva e cognitiva. Os testes de usabilidade realizados com estudantes do Ensino Fundamental possibilitaram avaliar peso, textura, distinção tátil, contraste visual e clareza das informações, revelando engajamento, facilidade de manipulação e compreensão das estruturas celulares. Além disso, o recurso foi manuseado por professores e pesquisadores cegos durante o Congresso Brasileiro de Tecnologia Assistiva, que relataram boa percepção das formas e organização do modelo. Os resultados apontam que o Fitting Cells apresenta potencial para reduzir barreiras no ensino de Ciências, especialmente no estudo da célula, trazendo os princípios do Desenho Universal. O conjunto de peças, concebido para favorecer múltiplas formas de acesso à informação, mostra-se replicável, de baixo custo e aplicável em diferentes etapas da educação básica. Conclui-se que o redesenho do recurso fortalece práticas pedagógicas inclusivas e oferece subsídios para a produção de novos materiais acessíveis voltados ao ensino de conteúdos científicos em contextos escolares diversos.</p> Anderson Roges Teixeira Góes Isabella Vieira Benkendorf Daiana Aparecida Stresser Heliza Colaço Góes Copyright (c) 2026 Benjamin Constant 2026-10-06 2026-10-06 32 70 1 19 e327008 Mapa de Risco Tátil: uma prática inclusiva na Educação Superior https://revista.ibc.gov.br/index.php/BC/article/view/1148 <p>A segurança do trabalho em Instituições de Ensino Superior é regulamentada por normas brasileiras como a NR-9, NR-32 e a NR-5, sendo o mapa de risco uma ferramenta para identificar e avaliar perigos em ambientes laboratoriais. Contudo, a aplicação convencional do mapa de risco, que é um documento visual, revela uma lacuna de inclusão, pois constitui uma barreira comunicacional para discentes com deficiência visual, ferindo o princípio da isonomia. O ambiente universitário apresenta desafios como a heterogeneidade de riscos, a dinâmica flutuante da população e a inexperiência técnica do corpo discente, tornando a comunicação de segurança um imperativo ético e pedagógico. Diante disso, o objetivo do trabalho foi desenvolver e aplicar um mapa de risco tátil em um laboratório de Química, visando à inclusão e à promoção da segurança. A metodologia empregada foi a Pesquisa-Ação, estruturada em ciclos de planejamento, ação, observação e reflexão, contando com a participação ativa de um discente cego na validação do mapa de risco. O processo envolveu o mapeamento dos riscos e a elaboração de um protótipo tátil. Foram utilizados materiais simples e de baixo custo, como EVA, tecidos, cordões e etiquetas em braille. A simbologia de cores tradicional do mapa de risco foi adaptada para padrões táteis por textura e relevo, como o tecido felpudo para risco Químico e EVA para Acidente. Os testes de acessibilidade e compreensão envolveram o rastreamento pelo toque, permitindo ajustes no modelo, como o uso de texturas diferentes para objetos menores, o que contribuiu para aumentar a percepção do usuário. O mapa de risco acessível ampliou a percepção espacial e favoreceu a compreensão da localização dos riscos pelo estudante cego. A proposta se mostrou eficaz, indo além da função informativa ao educar, orientar e prevenir, além de apresentar baixo custo e grande potencial de replicação em outros contextos acadêmicos. Espera-se que este trabalho se estabeleça como modelo para futuros mapas táteis, fomentando uma cultura de inclusão.</p> Mariane de Jesus Batista Luciano Oliveira dos Santos Lucas Santos Reis Cristiane Angra Pimentel Copyright (c) 2026 Benjamin Constant 2026-10-06 2026-10-06 32 70 1 23 e327009 Kit Braillemática: recurso de tecnologia assistiva para promover a autonomia e a acessibilidade na matemática inclusiva https://revista.ibc.gov.br/index.php/BC/article/view/1146 <p>A inclusão educacional de estudantes com Deficiência Visual (DV) enfrenta um desafio crítico no ensino de matemática, imposto pela escassez de materiais didáticos que traduzam conceitos abstratos — notadamente na Álgebra — para formatos acessíveis. Essa carência limita a construção do significado tátil e restringe a autonomia acadêmica dos alunos. Para abordar essa lacuna, este estudo relata o desenvolvimento e a avaliação do Kit Braillemática, um recurso de Tecnologia Assistiva (TA) configurado como um quadro imantado com peças em braille e tinta, desenhado para facilitar a manipulação e a representação de expressões matemáticas complexas. A pesquisa utilizou uma abordagem de natureza qualitativa, com ciclos de refinamento e avaliação em contextos de sala de aula. Os resultados demonstraram a eficácia do Kit na promoção do engajamento e da aprendizagem significativa, atestada pelos relatos de professores e alunos. Embora os desafios relacionados à durabilidade do protótipo artesanal e a necessidade de aprimoramento contínuo tenham sido identificados, o projeto evidencia o potencial do produto como uma inovação tangível para fortalecer a autonomia e consolidar a acessibilidade na Educação Matemática Inclusiva.</p> Lorena Cristina de Oliveira Fernandes Vanderley Flor da Rosa Dirceu Casa Grande Junior Eduardo Filgueiras Damasceno Copyright (c) 2026 Benjamin Constant 2026-10-06 2026-10-06 32 70 1 11 e327010 A audiodescrição didática para o processo de aprendizagem na disciplina de Física https://revista.ibc.gov.br/index.php/BC/article/view/1136 <p>O processo de inclusão educacional é essencial para a aprendizagem de todos os estudantes, tanto para aqueles da Educação Especial, quanto para os que têm alguma dificuldade com os métodos de ensino mais tradicionais e também para os que são adaptáveis a quaisquer métodos de aprendizagem. Desta forma, a criação de diferentes metodologias, práticas e recursos didáticos é fundamental para que cada estudante, em sua especificidade, possa aprender os mesmos conteúdos que os demais alunos. Neste sentido, este trabalho apresenta uma pesquisa bibliográfica realizada sobre artigos referentes ao processo de audiodescrição didática com o objetivo de verificar quais são e como são as pesquisas e trabalhos publicados referentes a este tema. Além disso, este trabalho apresenta a criação e o desenvolvimento de gráficos de cinemática, audiodescritos didática e pedagogicamente, que podem possibilitar o processo de aprendizagem e também permitirem aulas inclusivas. Estes gráficos audiodescritos são criados confeccionados a partir de situações trabalhadas na disciplina de Física e para as audiodescrições são desenvolvidos textos que explicam a questão imagética do gráfico e também a questão didática. Para a criação destes gráficos foram pesquisados e estudados materiais sobre audiodescrição, foram desenvolvidos os gráficos, criados os textos e após este processo, vídeos foram gravados para serem disponibilizados. Estes gráficos audiodescritos estão acessíveis nas redes sociais para que os estudantes de Ensino Médio, sejam eles da Educação Especial, ou não, tenham diferentes formas de aprender cinemática no ensino de Física, além disso, o material auxilia os professores a desenvolverem diferentes metodologias para o processo de ensino-aprendizagem.</p> Angela Maria Dos Santos Gabriela Crispim Heliza Colaço Góes Copyright (c) 2026 Benjamin Constant 2026-10-06 2026-10-06 32 70 1 13 e327012 Audiodescrição de ambiente escolar: uma estratégia de acessibilidade para a inclusão de estudantes com deficiência visual https://revista.ibc.gov.br/index.php/BC/article/view/1139 <p>Este trabalho objetiva apresentar um projeto de extensão universitária desenvolvido em 2024-2025 cujo objetivo é desenvolver metodologia e produtos que proporcionem aos estudantes das escolas públicas municipais de Bauru informações sobre as características físicas das instituições de ensino que frequentam – como estrutura, dimensões, aspectos arquitetônicos e de mobiliário do prédio e seus ambientes, bem como a disposição dos elementos nos espaços – para orientação e deslocamento. O projeto atende a uma demanda de estudantes, especialmente os com deficiência visual, de escolas municipais de Bauru/SP. A metodologia participativa utilizada inclui visitas técnicas <em>in loco</em> para levantamento de dados, elaboração de roteiros de audiodescrição (conforme parâmetros técnicos e teóricos e sob supervisão de consultores audiodescritores com deficiência visual), locução/edição dos roteiros e disponibilização dos arquivos finais em mídias digitais. O projeto foi desenvolvido durante 10 meses por cinco membros (todos estudantes de graduação) do Laboratório de Ensino, Pesquisa e Extensão em Mídia e Acessibilidade “Biblioteca Falada”, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), e resultou na oferta de audiodescrição detalhada da estrutura interna e externa dos prédios, bem como dos espaços abertos das escolas atendidas. Isso incluiu dados sobre características arquitetônicas, divisão de ambientes, disposição do mobiliário etc. O resultado foram nove audiodescrições, que incluem as partes externa e interna de três escolas municipais de Bauru/SP, contribuindo para a acessibilidade e a inclusão no ambiente escolar. Um dos diferenciais do projeto e ponto de destaque é a participação ativa dos diferentes públicos de interesse nas diversas etapas de desenvolvimento da proposta: desde o levantamento de quais seriam as escolas, passando por validação de consultores com deficiência visual, etapas de teste com professores e alunos das escolas até a disponibilização do roteiro aberto para que as próprias escolas possam propor mudanças futuras, em caso de modificações dos espaços.</p> Suely Maciel Guilherme Ferreira de Oliveira Copyright (c) 2026 Benjamin Constant 2026-10-06 2026-10-06 32 70 1 15 e327013